Em 1966 a Baixa da Serra ainda não estava propriamente ligada à Baixa da Banheira em virtude dos muitos espaços ainda por urbanizar. A Sociedade Recreativa da Baixa da Serra foi fundada em 10 de Maio de 1966, data em que foram aprovados os estatutos em Assembleia Geral, dirigida por Eduardo Gonçalves Martins, António Gomes e Francisco Manuel Chaveiro.

No artigo 2º dos estatutos refere o seu âmbito: “Os seus fins são promover o recreio dos seus associados por meio de récitas, festas recreativas, saraus, bailes, jogos lícitos, teatro amador e grupo folclórico.”. É o rancho folclórico que encontramos na génese da sociedade. Por sua vez, foram os cortejos de oferendas, no princípio dos anos 60, que despertaram a ideia de criar um agrupamento de danças e cantares.

Mas a ideia só vinga já em meados dos anos 60, quando alguns dos seus moradores “brincaram” ao carnaval, organizando umas marchas e não obstante o caráter pontual, foi uma brincadeira que agradou em cheio e logo uma ideia que ficou a germinar: Porque não um racho a sério neste lugar? Um dos grandes entusiastas desta ideia foi José Nobre, um dos mais antigos moradores na Baixa da Banheira que, de pareceria com outros moradores da Baixa da Banheira o organizou. Como não havia casa em condições para os ensaios, o rancho folclórico passou a ensaiar na cave da Igreja de Nª. Sª. De Fátima desta vila, mas logo surgiram divergências quanto ao nome e localização do “Rancho” pois alguns queriam que ele fosse na Baixa da Banheira embora a maioria dos seus componentes residisse na Baixa da Serra.

Então José Nobre e Eduardo Martins, numa reunião em que participou a maioria dos interessados, sugeriram a criação duma coletividade na Baixa da Serra onde o “Rancho” ficasse agregado e foi assim que, em Maio de 1966, se fundou a Sociedade Recreativa da Baixa da Serra de que o “Rancho” ficaria a fazer parte, se bem com certa autonomia e passou a denominar-se “Rancho Folclórico Corações Unidos da Baixa da Serra”, com o objectivo de defender o folclore da região em que se insere, região caramela, tendo para esse efeito recolhido das pessoas mais idosas da região não só as danças e cantares, mas também os usos e costumes, trajes populares, tradições, instrumentos musicais e artesanato. Nas suas caraterísticas é de realçar diversos trajes regionais entre os quais se salientam os noivos, lavrador rico, lavrador médio, traje de ir à missa, pescador do Barreiro e Seixal, pescador de Alhos Vedros, salineiro, fazendeiro e trajes de trabalho.

O Rancho Folclórico Corações Unidos da Baixa da Serra é filiado na Federação de Folclore Português. No capítulo exibicional é de destacar a participação no Festival Nacional de Folclore, Algarve, em representação da região da Estremadura, e a estreia internacional, em Plaisir, Paris, a convite da Associação de Geminação da Baixa da Banheira, corria o ano de 1992. De salientar que o mérito cultural do rancho levou-o a beneficiar do Protocolo de Valorização Artística, realizado entre a Câmara Municipal e a coletividade. O rancho organiza habitualmente o seu festival de folclore, na data de aniversário da coletividade, e os festivais de folclore das Festas da Baixa da Banheira, da Festa da Moita e do Parque Zeca Afonso.

O terreno onde se encontra a coletividade foi comprado em 1965, por 20 contos, e só acabou por ser pago em 1974. Logo no espaço adquirido se colocou uma vedação feita de canas, um mastro, ao meio, e palco, onde decorriam os ensaios. Um poço que havia na zona abastecia a coletividade de água. As edificações em alvenaria foram todas clandestinas e feitas voluntariamente pelos sócios, tendo sido erguido primeiramente o salão.

De princípio foi erguido um barracão de madeira, pouco a pouco, a Sociedade Recreativa da Baixa da Serra foi construída, em alvenaria, de razoáveis instalações que hoje já se servem de um milhar de associados e por isso se tornam já naturalmente pequenas.

A Câmara Municipal da Moita ofereceu-lhe recentemente mais terreno em espaço anexo e a SRBS tem já projeto para modernização das suas instalações.

Sendo o folclore a sua principal atividade, desde praticamente o seu início se encontra filiada no organismo nacional competente, tem muitas outras importantes atividades de caráter recreativo, desportivo e social, que se realizam desde 1987: ginástica, teatro, música. Funciona, também, um ateliê de tapeçaria, apoiado pelo Ministério da Educação, desde 1990, e cursos de alfabetização, desde 1994. Têm um intercâmbio com a escola primária nº8 da Baixa da Banheira de cedência do salão para realização de festas de Natal e outras. Mantém a Sociedade Recreativa da Baixa da Serra um ATL, desde 1990, com o objetivo de ministrar aos filhos dos sócios, ate aos 10 anos, a ocupação de tempos livres e acompanhamento escolar.

São cerca de 40 crianças que beneficiam desta intervenção mais social da coletividade, que proporciona passeios, atividades lúdicas, auxílio nos trabalhos escolares. O Taeckwondo é uma das modalidades mais importantes da coletividade, pelos registos competitivos, nacionais, internacionais, dos atletas. Foi introduzida pelo Mestre Leite (Treinador Nacional), em 1990, e funciona como escola de formação da Associação de Taeckwondo da Estremadura. Todos os atletas são federados na Federação Portuguesa de Taeckwondo. Outra das modalidades que tem cativado a atenção dos associados da Sociedade Recreativa da Baixa da Serra é o chinquilho, mantendo a coletividade 20 atletas em competição no campeonato inter-concelhío, prova que venceu várias vezes.

A Sociedade Recreativa da Baixa da Serra é filiada na Federação Portuguesa de Coletividades de Cultura e Recreio, desde 30 de Março de 1971. Em 1993, foi-lhe reconhecido o estatuto de Instituição de Utilidade Pública. Os atuais corpos gerentes são constituídos por: Joaquim José Guerlixa Martins (Presidente da Assembleia Geral), Gabriel Fernando Marques (Vice-Presidente), Luís Gonzaga Nunes Madeiras (1º Secretário), Abílio Manuel Nascimento Lopes (2º Secretário), Francisco de Jesus Magalhães (Presidente da Direcção), José Silvério Correia Nunes (Vice-Presidente), João Fernandes Gonçalves (Tesoureiro), Manuel João Campos de Oliveira (1º Secretário), Fernando Manuel Ângelo Gonçalves Rocha (2º Secretário), António Manuel Palmeiro Anacleto (3º Secretário), João Manuel da Costa Lúcio, José Joaquim de Sousa, Mário Filipe da Silva Correia, Vítor Manuel da Costa Pereira, Francisco Costa Lascas (Vogais), Flamínio José Murcela Carvoeiro, Virgílio de Jesus Ramos Santos (Suplentes), Artur Cardoso de Paiva Teixeira (Presidente do Conselho Fiscal), Manuel Delgado Martins (Secretário) e Fernando Manuel José Casinhas (Relator). 

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