O Ginásio Atlético Clube foi fundado no dia 1 Junho de 1938, e a sua existência confunde-se, em grande medida, com o nascimento e crescimento do grande burgo que é presentemente a Baixa da Banheira pois, os primeiros registos camarários onde ele aparece mencionam a data de 31 Julho de 1935.

A origem do Ginásio resultou da aglutinação de dois grupos de cidadãos:
- Um, mais jovem, constituído em grupo de futebol, ao tempo sem sede social nem oficializado por estatutos;
- O outro, constituído por um grupo de residentes mais velhos.
Ambos os grupos interessados no objetivo comum da criação duma colectividade. Deste entendimento e união de esforços resultou o nascimento e legalização do Ginásio.

Nesta época, tem ainda lugar, a realização dos célebres comboios de pedra, entre 1955 e 58 efectuaram-se 5, num total de 98 camionetas, tendo sido o Manuel Garcia Ferreira, o grande obreiro destas entusiásticas jornadas. Pedra que fomos buscar no Zambujal, na região de Sesimbra. Mas em simultâneo, levávamos a efeito as campanhas do cimento e do tijolo, da telha e mais tarde a da cadeira; era assim, o pedido ao sócio, de um saco de cimento, meia dúzia de tijolos, uma telha, uma cadeira e já antes tínhamos pedido, um metro de terreno. Muitos sacrificados foram os nossos sócios, para que também se conseguisse tão vasto património. E sempre num porta-a-porta, como quem pede uma côdea para saciar a fome.

Os trabalhos são reiniciados em Abril de 1959 obrigando a algumas demolições, seriamente contestadas, a que o autor do anterior projecto, pôs fim por reconhecer que a Obra ia ficar, por um lado, bastante mais valorizada e pelo outro, ia ser subsidiada pelo Fundo de Desemprego, o que nos dava uma razoável ajuda e, também, pelo apoio técnico de que iríamos a beneficiar, o que não aconteceria se não concordássemos com o novo projecto. A Obra que foi orçamentada em cerca de 1.500 contos a preço de 1959, viria a receber comparticipações do Estado entre Junho de 1960 e Novembro de 1965, cerca de 165 contos.

A década de 50 manteve-se brilhante em termos de Esplanada, foi mesmo o melhor período do nosso “Recinto” como também conhecido. As realizações levadas a efeito, as ornamentações do nosso consócio e fundador Alberto Mendonça e de outros sócios na parte das iluminações, os Bailes, os Fados, as Variedades, O Fox-Ball e outros mais, eram seguro motivo para enchentes. Destas realizações sempre nos sobravam alguns cobres para ocorrer às despesas sempre crescentes nas obras.

A década termina assim com o recomeço das obras (1959), como acima de referiu. Importa ainda acrescentar neste final, o incêndio nas antigas instalações da nossa Colectividade, causando graves danos no nosso património.

De 1959 a Fevereiro de 1961, data em que começámos a ocupar as novas instalações, diga-se, que em precaríssimas condições, foram cerca de 2 anos, de duros e intensos de trabalhos. Aos fins-de-semana, tínhamos os enchimentos, de placas, de pilares e vigas, bem como, diversas serventias e, a única máquina ao nosso dispôr era a betoneira, as massas eram elevadas a balde, com o auxilio de corda e roldana. Os diretores eram os mais sacrificados porque tinham que colaborar nas atividades da Esplanada, até altas horas da madrugada, e logo pela manhã, lá estavam na obra. Valia-lhes a disponibilidade da juventude, bastante sensibilizada para o problema da construção desta casa.

A utilização do Salão, foi a nossa chave de Ouro. A primeira festividade nele realizada, foram os bailes de carnaval daquele ano de 1961. A nossa massa associativa, sempre em número crescente, já não cabia na nossa Sala pequenina na Sede da Fundação da Colectividade, e nos últimos dois ou três anos, os Bailes tinham tido lugar no armazém do nosso sócio João Algarvio, por sua especial referência e do seu irmão Gregório.

Agora, era diferente, para melhor, apesar dos taipais em portas e janelas, não nos incomodava, tínhamos o telhado que nos protegia da chuva e do Inverno, e o calor humano dos nossos associados era quanto bastava. A Esplanada garantia-nos as nossas realizações no verão, e agora, o salão resolvia-nos todo o resto, os acabamentos eram uma questão de tempo e de dinheiro. Estávamos no caminho certo. A Baixa da Banheira e o Ginásio cresciam a olhos vistos.

Ainda neste inicio de década (60), também o desporto nos entra pela casa a dentro, através do ciclismo que começando pelas provas de populares, consegue trazer a Baixa da Banheira para a rua, para de seguida, se abalançar na participação de 3 voltas a Portugal, com inicio na 25ª, dando a conhecer de Norte a Sul deste país, o Ginásio e a Baixa da Banheira, tendo mesmo dois nossos voluntariosos atletas terminado uma delas. Os resultados desportivos não se esperavam significativos, face aos limitados recursos dos seus patrocinadores (um grupo de sócios entusiastas da modalidade), face á incapacidade da coletividade a braços com os custos da obra.

E nesta onda empolgante chegámos a Junho de 1963, ano em que comemorámos os 25 anos de existência, foram também as bodas de prata e também, o período da fundação e da consolidação da nossa colectividade. Esta efeméride deu lugar á nossa primeira publicação em forma de jornal, a que se chamou “O Ginásio”. Foi o seu director o então presidente da direcção, o consócio Joaquim T. Campante Ortiz. Nesta publicação, deu-se a conhecer os nomes de mais de duzentos anteriores dirigentes desde a Fundação, alguns com vários mandatos, nos três órgãos dirigentes da nossa colectividade (Assembleia Geral, Conselho Fiscal e Direcção).

Na sessão solene comemorativa, realizada a 9 de Junho, foram entregues diplomas e emblemas a Entidades Oficiais e Particulares e Sócios galardoados pelos relevantes serviços prestados à coletividade, nas categorias de sócios:

Honorários, Beneméritos, Mérito e Cooperador.

Sócios Honorários:
- Sr. Dr. Miguel Rodrigues Bastos
- Ilustre Governador Civil do Distrito de Setúbal
- Sr. Dr. Jorge de Mello
- Ilustre Administrador Delegado da CUF
- Sr. Agente Técnico de Engenharia
- Alfredo de Oliveira

Sócio Benemérito:
- Sr. Dr. César Coelho

Sócios de Mérito:
- Sr. Joaquim Viegas 
- Sr. José Pedro Nunes “Sândalo”
- Sr. Manuel Garcia Ferreira
- Sr. José Dias
- Sr. José António d'Oliveira
- Sr. Gabriel Fernando de Sousa
- Sr. José Campante Ortiz
- Sr. Fernando F. Bento “Damásio”
- Sr. Joaquim Fernandes de Sousa
- Sr. José Vicente

Sócio Cooperador:
- Sr. José Gonçalves Pássaro

Estes títulos Honoríficos foram aprovados em sessão da nossa assembleia-geral extraordinária, em 6 de Maio de 1963, tendo como ordem de trabalhos, um único ponto, “A Concessão de Títulos Honoríficos”. Ainda em continuação das Comemorações das “Bodas de Prata”, teve lugar no dia 10 de Junho, dia de Camões, a novo mobiliário, tendo sido a par das Salas da Escola Pré-Primária, do Bar e da Direção, as primeiras dependências a ser acabadas.

Neste boletim o nº100, encerramos com esta efeméride dos “25 Anos da Fundação do Ginásio”, este ciclo informativo da nossa curta história, pelo que se promete, no futuro próximo, continuarmos com a divulgação dos acontecimentos mais relevantes ate às “Bodas de Ouro”, logo até aos 50 anos. Então um até breve.

Os seus primeiros Corpos Gerentes, foram:

Assembleia Geral:
Mário Oliveira, Joaquim Viegas, Luciano Ladeira e Cândido Tavares.

Conselho Fiscal:
Pedro Couto, José Valente e Manuel Soares.

Direção:
José Pedro Nunes (Sândalo), Alberto Mendonça, Alfredo Saraiva, Joaquim Esteves Lopo, Carlos Riachos, Bento Tomáz e José Cláudio Encarnação.

É a mais antiga associação da Baixa da Banheira.

É relevante destacar os seus Estatutos Iniciais, o seguinte:
Capítulo 1 – Designação e Fins Artº 2º – O Clube tem por principal fim promover o desenvolvimento de todos os desportos, tais como Saraus, aulas de ginástica, etc. Cultivando em especial os de ar livre.
Único – Constituição de uma Escola de Ensino Primário Elementar para os filhos dos Sócios, de ambos os sexos com idade dos sete aos doze anos.

Em Fevereiro de 1985, o Ginásio foi declarado Instituição de Utilidade Pública.

Com a sua fundação a 1938, foram criadas, uma Banda Musical, uma Marcha Popular e uma Escola de Solfejo.

No inicio dos anos 40 (em plena 2ª Grande Guerra), foi a vez de se criarem a Escola de Instrução Primária, para os filhos dos seus Associados e uma Biblioteca, ao tempo (1943), a 1ª na Baixa da Banheira.

Desde muito cedo os nossos dirigentes começaram a pensar numa sede própria. E assim, em 1948 e depois em 1950, são adquiridos os primeiros dois lotes de terrenos.
Estes terrenos vieram permitir a criação da nossa Esplanada de Verão, inaugurada em 1948, o que nos veio libertar do sufoco reduzido espaço da nossa primeira sede, na Estrada Nacional, pelo menos no período de Verão. Os bons auspícios deixados pelo final dos anos 40, vão prolongar-se e intensificar-se pela década de 50.

Assim, logo de início, uma comissão de jovens associados, compromete-se em liquidar a aparelhagem sonora da esplanada, recentemente adquirida pela Direção e esta aliviada desse compromisso adquire um gerador para a produção de energia elétrica, o que veio dar vida externa, enorme á nossa Esplanada. Esta, passou a ser o grande ponto de encontro de muitos Banheirense. As nossas actividades de Verão, aos fins-de-semana, tornaram-se numa romaria onde não faltava luz, boa música e petiscos, em especial os caracóis. Quando o tempo deixava, a época da Esplanada ia de 01 de Junho (o nosso aniversário) a 30 de Setembro ou Outubro. Era o período em que amealhávamos alguns escudos, que muito jeito nos dava para a concretização dos nossos muitos projetos.

Em 1954 é mandado elaborar o 1º projeto da nossa Sede Social, que é abandonado por se verificar não corresponder aos requisitos de instalações com vista a um futuro suficientemente alargado. Tais preocupações levam-nos a adquirir mais terrenos nos anos de 1955/56. Estes terrenos são, onde se edificou a nossa Sede, permitindo salvaguardar a área do Parque Desportivo para o futuro Gimnodesportivo. Estávamos á distância de 50 anos.

É evidente que todo este processo, da compra ou não compra de terrenos, era acompanhado de perto e com muito interesse por parte da nossa massa associativa, onde se evidenciava um núcleo muito critico de jovens (onde se escriba se incluía), grupo que esteve na origem da compra dos lotes adquiridos em 55 e 56, tendo mesmo contribuído com a compra de um deles, com dinheiros conseguidos através da contribuição dos nossos associados durante cerca de 2 anos.

Era assim naqueles tempos, de mãos á obra. Ainda bem que assim aconteceu. O Ginásio só veio ganhar com isso. Como acima se disse, estávamos no inicio dos anos 50. A Guerra na Europa tinha terminado em 45, os indícios de crescimento da Baixa da Banheira eram já um dado verificável. O Ginásio se prensava no Futuro, e não tinha o espaço, e se dele viria a precisar, teria que adquiri-lo de imediato ou outro interessado se anteciparia.
Muitas histórias ficam aqui por registar, porque o espaço não nos vai permitir. Ficam para um outro trabalho mais detalhado.

Em 1955, Abril, é iniciada a construção da nossa Sede Social com o projecto do nosso associado José Pedro Nunes, vulgo Sândalo, fundador e primeiro Presidente da Direção. As obras são, entretanto suspensas neste mesmo ano, em virtude de termos solicitado ajuda ao Estado, e esta intervenção obrigar à reformulação do projeto inicial. 

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